segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Hikikomori



“Hikikomori”, um mal que atinge os jovens no Japão
Estima-se que 1 milhão de jovens vivem trancados em seus quartos, sem ir à escola ou ao trabalho
(Fernando A. Busca)


Incapazes de seguir o frenético ritmo de vida do país, no Japão existem cerca de 1 milhão de adolescentes ou jovens que sofrem de hikikomori - comportamento causado pela reclusão ou isolamento. Esses jovens vivem por sua própria vontade trancados em suas casas ou quartos durante anos.

Normalmente o problema começa na adolescência, após enfrentar casos de ijime (maus-tratos na escola) ou falta de adaptação devido à pressão social que existe no Japão para não transgredir as regras sociais, disse Mami Iwamoto, diretora de um centro de reabilitação para vítimas de hikikomori em Yokohama (Kanagawa).

Cansados de sofrer pressão de colegas, alguns se encerram em seus quartos ou outros locais da casa e recusam sair durante um longo período de tempo, que pode durar até anos.

Calcula-se que cerca de 1 milhão de pessoas apresente esses sintomas, mas as causas ainda não estão muito claras.

Da explosão econômica dos anos 70 e 80 o Japão passou por uma crise que terminou há pouco tempo e agora muitos jovens não se sentem seguros quanto ao futuro quando saem das universidades.

A falta de perspectivas de futuro é um fator, mas o fenômeno hikikomori acontece exclusivamente no Japão, salvo alguns casos na Coréia do Sul.

A rigidez social da cultura japonesa impõe muita pressão sobre os jovens, de quem se espera a excelencia nas atividades que executam.

O especialista Tamaki Saito, pioneiro em estudar o tema, culpa em parte o culto à individualidade na cultura japonesa.

O fenônemo hikikomori, que segundo Mami atinge um em cada 40 lares japoneses, está relacionado em alguns casos com o fenômeno otaku, palavra que descreve os fanáticos de animês e videogames.

Segundo Iwamoto, alguns jovens reclusos passam o tempo dormindo durante o dia e jogando games ou navegando na internet durante a noite, porque para eles é mais fácil interagirem em um mundo virtual do que no mundo real, onde é necessário fazer esforços.

Como acontece muitas vezes entre os lares japoneses, os pais não forçam os filhos reclusos a saírem de casa, com a esperança de que o mal passe com o tempo.

É comum que a família sinta-se envergonhada com a situação e esconda o fato do estar sofrendo de hikikomori.

No Reino Unido, o hikikomori foi relacionado também ao termo NEET (Not currently engaged in Employment, Education or Training), que designa alguém que no momento não trabalho, nem estuda, nem se prepara para nada.

Segundo especialistas consultados pelo Japan Times, não se trata apenas do resultado de uma longa crise econômica que atingiu o país nos anos 90. Esse grupo começou a preocupar as autoridades japonesas, que já começam a enfrentar o problema da redução da força de trabalho em um país que registra uma das menores taxas de natalidade do mundo.

De fato, o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar pretende construir centros de internação para ensinar os jovens a serem mais disciplinados e interessarem-se pela carreira profissional.

Para a diretora do centro particular de tratamento para hikikomori Mami Iwamoto, no entanto, não é correto relacionar os jovens reclusos ao grupo NEET, nem tampouco uma questão de emprego ou profissão.

No centro segue-se um programa de quatro fases no qual o primeiro tenta fortalecer as relações dos indivíduos com pessoas da mesma idade. Só depois os internos passam a mudar seu ritmo de vida através de apoio psicológico. No final, os pacientes são conduzidos a um programa de inserção no trabalho no qual aprendem a conseguir independência econômica.



Hikikomori (lit. isolado em casa) é um termo de origem japonesa que designa um comportamento de extremo isolamento doméstico. Os hikikomori são pessoas geralmente jovens entre 18 a 34 anos que se retiram completamente da sociedade, evitando contato com outras pessoas. Em geral, moram sozinhos ou com os pais e se dedicam a internet, mangas, animes e video games como forma de preencher o tempo e viver num mundo isolado fantasiando a realidade. Os individuos tem seu desenvolvimento social paralisado afetando o processo natural de amadurecimento.

Esse tipo de comportamento é atualmente tido como problema de saúde pública no Japão onde milhares de jovens se encontram nesta situação devido ao alto grau de perfeição exigido das pessoas em tarefas diárias e à pressão acarretada por tal exigência, o que acaba levando muitas pessoas a problemas psicológicos de baixa auto-estima e em alguns casos extremos tendências sociopáticas graves. Há casos extremos onde filhos chegam aos 40 anos ainda dependentes dos pais e sem experiência profissional.

O Ministério da Saúde no Japão estima que cerca de 50 mil japoneses são vítimas do fenômeno. Dados do psicólogo Saito Tamaki, criador do termo e pioneiro na pesquisa sobre tal fenômeno, indicam um quadro muito mais sombrio: um milhão de jovens do sexo masculino seriam vítimas desse distúrbio, o que leva ao assombroso quadro de 20% da população adolescente masculina (ou 1% da população do país inteiro) vivendo em reclusão quase que total. É um tanto óbvio que graças ao comportamento isolacionista ao extremo das vítimas, o número exato de Hikikomori existentes atualmente não pode ser medido com exatidão, e provavelmente está entre um dos dois extremos propostos pelos dados fornecidos. Há informações de que Tamaki teria posteriormente admitido em sua autobiografia (Hakushi no kimyo na shishunki) que esse número não tem base factual e foi empregado apenas para chocar e chamar atenção para o problema.

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